No ano passado, foram 1.381 mortes, sendo 55% de pessoas acima de 60 anos, faixa etária dentro do grupo com direito à vacina da gripe pelo SUS.

‘Muitos acham que a gripe é bobagem, mas ela mata em média 900 pessoas por ano no país”, afirma a pediatra Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

“O vírus influenza é imprevisível, por essa razão, insistimos na vacinação anual como forma de prevenção. Não há como saber qual será sua intensidade na temporada”, explica a médica.

Segundo a médica, existe uma discussão sobre qual seria o mês ideal para início da campanha de vacinação no país, que ocorre em abril. O ideal, segundo a especialista, é que, quando o vírus começasse a circular, todos já estivessem imunizados com a vacina.

“A OMS define em setembro qual serão as cepas utilizadas na vacina no hemisfério Sul. A vacina será direcionada aos vírus que irão circular. Mas, para fazer uma vacina, é preciso pelo menos seis meses”, afirma.

Produzida pelo Instituto Butantan, a vacina imuniza contra três tipos de vírus predominantes no Brasil: influenza A (H1N1e H3N2) e um tipo de influenza B.

Isabella destaca que o H1N1 se mantém importante no país, dividindo a prevalência com o H3N2. “Cerca de 76% das mortes por gripe são de pessoas dentro do grupo de risco, como idosos, gestantes, diabéticos e cardíacos. Ou seja, os outros 24% são pessoas sem risco para gripe. Na maioria das vezes, a gripe é assintomática, mas 10% vão adoecer”, diz.

Confira tudo o que você precisa saber sobre a gripe:

Quem deve tomar a vacina contra a gripe?

Todos os adultos e crianças com mais de 6 meses de idade, em especial as pessoas que fazem parte do grupo de risco: crianças de 6 meses a 5 anos, gestantes, puérperas, maiores de 60 anos, imunocomprometidos, pessoas de qualquer idade com doenças crônicas como diabetes, doenças cardíacas e respiratórias, profissionais da saúde, indígenas e população privada de liberdade.

Quem não pode tomar a vacina contra a gripe?

A vacina tem poucas contraindicações. A primeira é crianças com menos de seis meses; as doses devem ser aplicadas apenas em bebês maiores. Quem apresentou algum tipo de reação alérgica à vacina em outro ano não deve voltar a tomar. A dose da vacina contra a influenza também pode ser perigosa para quem já teve a síndrome de Guillain-barré, uma doença autoimune que pode ser desencadeada por fenômenos infecciosos. Antes de tomar a vacina, estes pacientes precisam de orientação médica específica.

Vacina contra a gripe causa gripe?

Este é o maior mito em relação à vacina da gripe. A dose não causa a doença porque é feita a partir do vírus inativado, ou seja, morto, portanto não há a menor possibilidade de infecção.

Posso ter reação à vacina?

Sim, e é por isso que muitas pessoas dizem que ficaram gripadas depois da vacina. Os sintomas da reação podem ser confundidos com gripe e resfriado, mas a reação não causa sintomas respiratórios como o vírus influenza. Também existe a possibilidade de a pessoa já estar com o vírus no organismo, em período de incubação, antes que a vacina pudesse criar a proteção. É preciso lembrar que a vacina costuma ser tomada em época de alta transmissão de resfriados, que são causados por outros tipos de vírus que não estão na vacina.

Influenza e gripe são a mesma coisa?

Gripe é a doença causada pelo vírus influenza. A palavra gripe tem sido utilizada por engano para todo e qualquer quadro respiratório agudo. Já os resfriados são relacionados a outros vírus respiratórios. A diferença entre ambos é basicamente a intensidade dos sintomas, mais fortes no caso da gripe.

Quem tomou a vacina no ano passado precisa tomar de novo?

Sim. A vacina não dura para sempre. A proteção conferida por cada dose não chega a um ano — em seis meses, já caiu bastante. Além disso, os tipos de vírus geralmente mudam de um ano para o outro. A vacina aplicada no ano passado, por exemplo, era diferente da que vai ser aplicada este ano. Os tipos de vírus que serão incluídos na composição anual da vacina, que pode ser diferente nos hemisférios Norte e Sul, são definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a partir do monitoramento dos casos da doença.

A vacina contra a gripe é eficaz?

A eficácia da vacina contra a gripe depende de diversos fatores, mas a média é de 70% de eficácia, variando de 80% em crianças a 40% em pessoas com alguma enfermidade. É importante destacar que existe a possibilidade de as cepas do vírus circulantes em determinado país não coincidirem completamente com a vacina oferecida e os índices de eficácia caírem. Por isso, o ideal é receber a vacina quadrivalente, que é mais abrangente – contém uma cepa B a mais que a trivalente.

Posso tomar a vacina da gripe junto com outras vacinas, como a da febre amarela e do sarampo?

Não há o menor problema. A campanha, inclusive, é uma boa oportunidade para atualizar o carteira de vacinação. É importante salientar que, no caso das crianças com menos de 2 anos, as vacinas contra a febre amarela e o sarampo não podem ser tomadas no mesmo dia. O ideal é esperar ao menos 30 dias.

A vacina na clínica particular é a mesma da rede pública?

Não. A rede pública disponibiliza apenas a vacina trivalente. Na rede particular é possível encontrar tanto a versão trivalente quanto a quadrivalente.

Não faço parte do grupo de risco. Tenho direito à vacina no SUS?

Não. Quem não faz parte do grupo de risco pode se vacinar em uma clínica particular de imunização. A vacina aplicada na rede particular é a quadrivalente, que protege contra o H1N1, H3N2 e dois tipos de vírus influenza B.

 

Informações: R7 / https://noticias.r7.com/saude/gripe-parece-bobagem-mas-mata-900-por-ano-no-pais-diz-especialista-17032019?fbclid=IwAR37WGKXy8m36a71wstaXGzD-ojsU18HhTn_6W4MriZMbsHxDApvsk80LyU